Realidade Pandêmica - COVID-19 - Vaca Fria

Às vezes tudo isso parece um sonho, pesadelo, ficção. Inimaginável que a humanidade, a esta altura de seu desenvolvimento científico, pudesse ficar à mercê de uma pandemia provocada por um vírus, coronavírus, que causa a  COVID-19, que, de certa forma, já era prevista. Notícias de novos vírus e bactérias mutantes e resistentes a tratamentos são abundantes e antigas. Difícil acreditar que atingiria dessa forma os países desenvolvidos da Europa, América do Norte ou Leste asiático. No máximo, atacaria uma região mais carente e, antes que se tornasse uma ameaça global, a epidemia estaria debelada.

É como se o mundo tivesse regredido à peste negra da Idade Média, quando nada havia a se fazer contra as doenças contagiosas, a não ser rezar e se esconder para tentar sobreviver. Só que naquela época não se imaginava que poderiam ser causadas por seres vivos microscópicos, dos quais não se sabia da existência, e muito menos que hábitos prosaicos de higiene, como os conhecemos, poderiam salvar vidas. Talvez nem existisse o conceito doença, e certamente não a ideia que temos dele atualmente.

A pandemia atual também me faz duvidar dos rumos do desenvolvimento da tecnologia médica. Quase todas aquelas maravilhas noticiadas como grandes invenções para o bem da saúde, neste momento de crise, parecem inúteis, criadas principalmente para hospitais e clínicas utilizados por uma mínima parcela da população. Assim como a indústria farmacêutica e seus remédios supersofisticados e caríssimos. Sim, como qualquer pessoa mais ou menos sensata, sou a favor de inovadores e avançados sistemas para tratamentos médicos. Mas se disponível a todos. Se os bilhões gastos com os aparelhos que detectam doenças em meia dúzia de pessoas que podem pagar fortunas por exames clínicos fossem usados em pesquisas e meios para garantir a saúde física da humanidade, talvez não estivéssemos vivendo uma pandemia, pelo menos não na intensidade em que se apresenta. Muito sofrimento seria evitado e milhares de vidas seriam poupadas.

Vamos imaginar quando o vírus chegar aos países pobres de verdade. Espero e oro para que não seja assim, mas tudo leva a crer que vai provocar muita dor, espalhar medo e causar morticínios. O mesmo acontecerá, talvez em menor escala, nas periferias e interiores esquecidos e sem estrutura do Brasil, o que poderia ser amenizado se o país não tivesse um presidente desqualificado, egocêntrico e parvo, defensor de uma política econômica que não se importa com a nossa profunda desigualdade social.   

São Paulo

Paro, tentando pensar com distanciamento na imagem de uma metrópole como São Paulo, com o comércio fechado, escolas paralisadas, ruas praticamente desertas, uma multidão de pobres subempregados rebaixados a pobres desocupados vagando pela cidade, gente de quarentena em seus lares, mas não nas periferias e favelas, onde um ou dois cômodos abrigam famílias inteiras com pessoas que não vão deixar de sair de casa em busca da sobrevivência.

Uma realidade tão dura que parece irreal, daquelas cenas que a gente acha impossível de acontecer durante a nossa passagem. Coisa do passado, da História, de livros e filmes, de ficção criativa.

A realidade, tal como a conhecemos, é isso. Por mais inacreditável que seja, revela situações que surpreendem até o criador mais imaginativo.

Um dia, tudo isso passará. Que possa deixar heranças positivas para todos, principalmente a maioria desassistida.  

Cuidemos de nós e dos outros. 

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