Pensar Nagô moniz Sodré

Ouvindo o podcast Filosofia Pop, descobri o livro do professor Muniz Sodré, que trata de filosofia africana. Me impressionou a discussão do professor sobre o que é filosofia, derrubando diversos paradigmas clássicos.

Alguns trechos não são de fácil leitura. Principalmente quando cita alguns filósofos, como Deleuze, a coisa fica realmente complicada.

Em suma, é um livro difícil, mas altamente inovador e estimulante.

Muniz Sodré é professor emérito da UFRJ. É uma autoridade em comunicação e filosofia. E um grande conhecedor dos fundamentos do candomblé, do qual é praticante.

O livro Pensar Nagô foi publicado pela editora Vozes em 2018.

Salve professor!

Trecho do livro – página 74

Ora, a filosofia, que começa por um retorno (reflexão) do pensamento ao “si” do sujeito, é originariamente também uma forma literária, ou seja, é a tradução verbal e especulativa de uma reflexão sobre a natureza, supostamente verdadeira, do ser. Aquilo que o Ocidente habituou-se a chamar de “filosofia” é o nome dado por Platão à sua própria literatura em oposição à sofia anterior, logo era a redução platônica da oralidade dialética ao discurso escrito. Filósofo, assim como Platão se identifica, é apenas um “amante da sabedoria”, não alguém que a possua, a exemplo de Heráclito, Parmênides, Empédocles e outros da época dos “sábios”, que sempre foram mais implicativos do que explicativos. Plicare é “dobrar”, em latim. Explicare significa propriamente “desdobrar”, “estender”. De dentro para for, a partir de uma dada estrutura, amplia-se o enunciado por desdobramento lógico, com vistas ao desvelamento do sentido e ao entendimento por parte de outro. Implicare, ao contrário, é dobrar de fora para dentro, portanto, envolver o interlocutor, de modo a leva-lo a participar da produção do sentido.

Share this:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *